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Comecei minha carreira de professor na Escola Rio Caeté em 2001, licenciado em Letras pela Universidade Federal do Pará - UFPA e radialista desde 1992.

No início de minha carreira profissional, quis juntar minha experiência de radialista à prática docente. Na busca deste sonho, desenvolvi projetos que estimulassem a aprendizagem com o auxílio da comunicação. Por volta de 2002 organizei um projeto de Rádio Escola na Feira das Ciências da Escola Rio Caeté. A partir desta experiência pude perceber mais claramente a extraordinária capacidade que o rádio possui em desenvolver habilidades de pesquisa e produção textual nos alunos envolvidos no projeto.

O desafio de levar esta experiência para uma rádio tradicional motivou-me em manter um vínculo com a primeira rádio que trabalhei: a Rádio Pérola FM – 92,1. Não consegui alcançar minha meta de trazer meu projeto para dentro da rádio. No ano de 2004, após ser convidado para participar da equipe que inaugurava a Rádio Educadora FM – 106,7. Assim, passei a atuar como voluntário desta emissora, onde permaneço até os dias atuais.

Foi nesta rádio que, no ano de 2008 coloquei em prática o Projeto Aluno Repórter. Até então, havíamos executado apenas uma experiência piloto de rádio escola, onde as ações limitaram-se apenas aos alunos da escola Rio Caeté. Neste ano de 2008 o projeto atendeu à trinta e seis alunos. . Aconteceu também a propagação das rádios escolas. Com a disposição dos alunos em ajudar nas atividades com os outros alunos, ficou mais suave o trabalho. O Projeto cresceu numa dimensão que eu não imaginara.

Com o embrião na escola Rio Caeté, no ano de 2010, foram atendidos cento e cinquenta e dois alunos dos municípios de Bragança, Tracuateua, Augusto Correa, Viseu e Cachoeira do Piriá. A iniciativa de expandir as ações do projeto para estes municípios deu-se especialmente pelo fato de que, uma vez conquistado um espaço nobre numa rádio tradicional, a Rádio Educadora AM, entidade da Fundação Educadora de Comunicação resolvemos atender também as escolas pólo dos municípios que dão uma grande audiência à sua programação.

Até meados do ano de 2012 dividi a coordenação do projeto com o professor Aylton Rocha que, por motivos pessoais (mudança de endereço para a capital do Estado, Belém) não teve mais condições de seguir conosco.

O intuito de promover uma educação com a inserção das mais diversas tecnologias de informação e comunicação (TIC) tem produzido resultados muito positivos na vida dos alunos atendidos pelo Projeto Aluno Repórter – A Imprensa na Escola Rádio e TV. A realização de atividades práticas semanais, desperta e desenvolve várias habilidades neste aluno, melhorando significativamente a práxis educativa, colaborando efetivamente uma formação de um cidadão mais consciente de seu papel na sociedade a partir da utilização do rádio, TV e demais TIC's.

Realizamos atividades que favorecem diretamente a comunidade local e de outras regiões, através da produção de matérias jornalísticas produzidas semanalmente por nossos alunos e levadas ao ar em dois programas de rádio e um programa de TV, além da rádio on line no site do projeto (alunoreporter.com.br) que proporciona aos ouvintes, acesso a conteúdos nos mais variados gêneros de programas: cobertura de eventos escolares, entretenimento, informações, etc.

As atividades desenvolvidas pelos alunos repórteres, já favoreceram muitas comunidades escolares, pois, durante todo o processo que transcorre durante do ano letivo, busco sempre reforçar em todos os alunos a importância da leitura e da produção textual. Não apenas pela produção em si, mas pelo resultado que esta produção pode ter ao se veiculada numa rádio convencional. Que é nosso caso. Os ouvintes e telespectadores, de um modo geral, passam a consumir e a dar crédito a uma gama de informações que são veiculadas em programas que foram criados especificamente para tratar de educação. Uma vez fazendo parte da comunidade onde atua como aluno repórter, nosso aluno acaba por reportar situações que ele próprio vivencia no seu cotidiano, fazendo com que ele também esteja, de certa forma, inserido nas entrelinhas do seu texto. Esta situação faz com que o aluno repórter sinta-se capaz de ajudar sua comunidade a superar os desafios do dia a dia. Vejo e busco estimular neste aluno um cidadão que não mede esforços para ajudar o seu próximo. Isso tudo é possível graças ao compromisso semanal que nossos alunos assumem em produzir textos, participar de atividades nos laboratórios de rádio e TV do projeto, utilizar a internet para o envio destes textos, via e-mail, para a revisão da coordenação, participar de atividades de socialização destes conhecimentos em outras escolas, quando o projeto é convidado à dar apoio logístico para a realização de eventos escolares, como feiras pedagógicas, sarais, gincanas e tantos outros.

Certa vez, o aluno repórter da Escola Estadual Argentina Pereira, Talyson do Socorro dos Santos, aluno repórter do ano de 2009, questionou-me sobre a possibilidade do mesmo produzir uma matéria sobre um problema crônico de energia elétrica em sua escola, onde várias salas de aulas ficavam na escuridão, obrigando boa parte dos alunos a fazerem revezamento para não serem prejudicados. Respondi a aluno repórter que ele deveria produzir o texto a apresentá-lo primeiro à gestora da escola para que a mesma o ajudasse a encontrar a melhor forma de informar e contar este drama à comunidade e aos ouvintes do nosso programa de rádio. Após todo trabalho de pesquisa dos fatos realizada pelo nosso aluno repórter, o texto chegou às minhas mãos para a revisão final. Só então nosso aluno recebeu o “ok” para entrar, ao vivo, por telefone, direto da residência da gestora da escola – pois esta escola não possui telefone convencional - e informar a todos os ouvintes sobre este grave problema que a escola vinha enfrentando. A repercussão da publicação desta matéria foi tão positiva que, após reprisá-la por mais duas vezes, recebemos a informação de que funcionários da empresa concessionária de energia local tinham ouvido nosso programa e a matéria referente ao problema da escola e que, em menos de três dias foi solucionado este grave problema que vinha afligindo a comunidade da Escola Estadual Argentina Pereira.

O rádio, a internet, telefone convencional e celular, computadores, máquinas fotográficas digitais e a escrita subsidiam a produção de conteúdos que contribuem na formação dos alunos envolvidos e de toda sociedade.

A partir da realização de oficina de Cineclube, ofertada pelo Projeto INOVACINE da FAPESPA, os alunos do município de Bragança, participantes do projeto Aluno Repórter fundaram o CINECLUBE BRAGACINE, enquanto que os alunos do município de Tracuateua fundaram o CINECLUBE TRAQUACINE, incentivando com isso a prática e a valorização da cultura por intermédio da exibição semanal de produções cinematográficas.

Quando olho para o passado fico imaginando como seria minha prática docente se não tivesse ousado e buscado estreitar a distância que existe entre a escola e todas as tecnologias existentes na atualidade. Atuando em sala de aula buscava utilizar todos os recursos que minha escola dispunha para realizar uma aula agradável e que fizesse com que meus alunos sentissem prazer em estudar.

Hoje, com a execução do Projeto Aluno Repórter, a partir de minha lotação no NTE de Bragança (Núcleo Tecnológico Educacional), via Escola Estadual Rio Caeté, estou tendo a oportunidade de realizar uma experiência extraordinária que envolve a participação de alunos voluntários e professores de mais de vinte escolas e diversas instituições parceiras, realizando uma prática que envolve as mais variadas TIC’s – Tecnologias de Informação e Comunicação e que vem despertando nas autoridades um maior comprometimento em investir cada vez mais em tecnologia nas escolas de nossa região. Podemos tomar como exemplo o fato de que Bragança possui o maior número de Rádio Escolas instaladas e em funcionamento de todo o Estado do Pará. Reflexo das ações desenvolvidas pelo nosso projeto e que vem alcançando um reconhecido destaque entre as ações da SEDUC-PA.

Portanto, acredito que vale a pena investir cada vez mais em educação. O projeto desenvolve a prática do voluntariado em nossos jovens e isso é gratificante. Os que deixam o projeto, voltam para ajudar os que estão entrando, os alunos do Rio Caeté são formidáveis quanto a interação com os alunos de outras escolas ou de outros municípios. Eles estão sempre disponíveis e isso é maravilhoso! Saber que faço parte desse processo, que estou a contribuir na formação de cidadãos, que muitos ex-alunos já estão no mercado de trabalho. Tudo isso, me ajuda acalentar o cansaço diário.

Finalizo o meu relato com uma frase de Madre Teresa de Calcutá   "Eu sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor."

 

Professor Carlos Roberto Amorim da Silva – Ph.I.

Coordenador do Projeto Aluno Repórter A Imprensa na Escola Rádio e TV

Coordenador do Núcleo de Tecnologia Educacional de Bragança-PA

Presidente da ALB – Seccional Bragança-PA





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