Fique Conectado

Entre em nossa lista de emails e mantenha-se informado sobre as novidades e publicações do site!

 

O Censo Demográfico IBGE (2010) mostra uma realidade social gritante, pobreza e desemprego atingem parcelas consideráveis da população do município de Bragança.

Da população do município em 2010 de 113.227 residentes, 23.883 encontrava-se em situação de extrema pobreza, com renda domiciliar per capita mensal abaixo de R$70,00, portanto, significa que 21,1% da população municipal viviam nesta situação. A bolsa família, conforme a folha de pagamento de junho/2013 atende 14.935 famílias.

Existem 26.221 domicílios particulares permanentes onde vivem 107.438 pessoas, destes domicílios, 30,34% tem rendimento mensal domiciliar per capita nominal entre menos de ½ salário mínimo a um salário mínimo (=R$255,00) e 4,89% desses domicílios, sem rendimento nominal mensal.

Quanto à população residente em domicílios particular permanente urbana, existem 70.052 pessoas, com uma proporção de 64,1% de pessoas com rendimento mensal domiciliar per capita nominal de até ½ salário mínimo (=R$255,00). Quanto à população residente em domicílios particular permanente rural, existem 37.386 pessoas, com uma proporção de 86,5% de pessoas com rendimento mensal domiciliar per capita nominal de até ½ salário mínimo (=R$255,00).

Das 1.170 famílias conviventes residentes em domicílios particulares rurais, 34,62% sem rendimento nominal mensal familiar per capita. Dessas famílias conviventes, 65,04% tem rendimento nominal mensal familiar per capita de menos de ¼ do salário mínimo a um salário mínimo (=R$ 510,00). Apenas 0,34% dessas famílias, têm rendimento nominal mensal familiar per capita de mais de um a dois salários mínimos, ou seja, quatro famílias conviventes. Acima da classe de rendimento nominal mensal familiar per capita de mais de dois salários mínimos não existe famílias conviventes com este rendimento mensal.

Das 2.767 famílias conviventes residentes em domicílios particulares urbanos, 20,05% sem rendimento nominal mensal familiar per capita. Dessas famílias coniventes, 74,20% tem rendimento nominal mensal familiar per capita de menos de ¼ do salário mínimo a um salário mínimo. Apenas 3,90% dessas famílias, têm rendimento nominal mensal familiar per capita de mais de um a dois salários mínimos, ou seja, 108 famílias conviventes. Com rendimento nominal mensal familiar per capita de mais de dois salários mínimos até mais de cinco salários mínimos, apenas, 1,85% das famílias conviventes, ou seja, 51 famílias conviventes recebem este rendimento mensal familiar per capita (Censo IBGE, 2010).

O valor do rendimento nominal médio mensal per capita dos domicílios particulares urbano é de R$ 491,44 e do rural é de R$ 220,24, portanto, menor que o salário mínimo (R$510,00). O rendimento do meio rural é de menos da metade do meio urbano. Do total de extremamente pobres, 13.367 (56,0%) viviam no meio rural e 10.516 (44,0%) no meio urbano.

A relação direta entre pobreza e saneamento e demonstrada pela população residente em domicílios particulares com saneamento inadequado, 88,8% tem rendimento nominal domiciliar per capita médio mensal de até ½ salário mínimo (=R$255,50).

A economia agrícola do município de Bragança é desenvolvida basicamente por pequenos produtores rurais, agricultura de subsistência, voltada para a produção de culturas alimentares, principalmente, feijão e mandioca com a prevalência desta última. A produção da mandioca é voltada para fabricação de farinha. O uso do método tradicional, roçar e destocar manualmente e depois queimar, como meio de preparo do solo é praticado por 90% dos pequenos produtores rurais.

Tem se caracterizado nos últimos anos, na agricultura temporária, a monocultura da mandioca. Três questões determinam esta situação: primeira, a questão cultural, a farinha faz parte dá cultura alimentar, originária da cultura indígena, muito forte na formação da sociedade brasileira, especialmente, na região norte do Brasil; segunda, o plantio da mandioca não requer um solo rico em sais minerais, o que não acontece com o milho, que exige adubação do solo e o feijão, conforme a área colhida, requer o uso de mão de obra intensiva ou equipamento agrícola para colheita; e, terceira, a questão econômica, preço da farinha favorecem o plantio da mandioca no município.

Quanto à situação financeira do produtor rural, os dados referentes famílias conviventes rurais e da população residente em domicílios particular permanente rural, comprovam que a renda da atividade agropecuária é insuficiente para subsistência do produtor rural e sua família, portanto, incapaz de capitalizar a atividade econômica e dar qualidade de vida as populações que vivem desta atividades econômica.

A realidade social e econômica do produtor rural esta diretamente relacionada à comercialização da produção agropecuária. O produtor fica isolado na ponta da cadeia (na produção) e a agregação de valores industriais ocorre em outros pontos do complexo rural, na comercialização e na agroindústria. A produção é vendida sem agregação de valores ao atravessador que impõe os preços insuficientes para cobrir o custo da produção. Portanto, o produtor isolado na ponta da cadeia, desarticulado da cadeia produtiva, é vitima dos poderes que a controlam, ou seja, da estrutura produtiva que ele não tem nenhum controle e que impõe preço a sua produção.

A desigualdade de rendimento entre populações rurais e urbanas é decorrente da incapacidade do setor agropecuária de gerar renda suficiente para manter o produtor e sua família, portanto, a saída não esta na bolsa família e sim na agregação de valores industriais à produção agropecuária que ocorre com a criação dentro do complexo rural de estruturas para beneficiar e comercializar a produção. A Cooperativa é o sistema organizacional ideal para agregar produtores rurais e valores industriais aos produtos e fazer sua comercialização.

O que é agregar valores industriais? É qualificar e padronizar a produção adequando-a a legislação sanitária e comercial. É a limpeza e seleção do produto por qualidade e tipo e colocar embalagem apropriada que tenha a marca registrada da organização (Cooperativa), ou seja, nome de fantasia e razão social da organização e outras informações técnicas obrigadas pela legislação. O produto esta pronto para venda final ao consumidor no comércio varejista e atacadista. Por exemplo, o que você compra no supermercado e/ou mercadinho, doces, feijão, filé de peixe, camarão, massa de caranguejo, em embalagem apropriadas e em temperatura ideal, todos estes produtos, com agregação de valores industriais.

Portanto, a Cooperativa vai agregar valores industriais a produção da Agricultura Familiar. A Cooperativa vai agregar valores industriais as frutas beneficiadas para fabricação de doces e bebidas. A Cooperativa vai agregar valores industriais a carne suína e de aves beneficiadas para fabricação de chouriço (linguiça) e outros produtos. A Cooperativa vai agregar valores industriais ao beneficiamento da produção do pescador artesanal e dos marisqueiros.

A pobreza no meio rural e sua reprodução só irá acabar quando o produtor rural estiver participando dos pontos de acumulação de valores agregados que ocorre na comercialização e na agroindústria.

Fernando Augusto Prudente Vieira - Economista

Acadêmico da Academia de Letras do Brasil - Seccional de Bragança/PA

Cadeira Nº 07- Patrono: Dr. Antônio Fernandes de Medeiros e da Academia de Letras

E Artes de Bragança-ALAB

 





© . ALB - Academia de Letras do Brasil - Seccional Bragança-Pará. Todos os direitos reservados. CNPJ: 19.364.854/0001-85.
Caéte Web - Criação e Hospedagem de Sites